Resenha Premiada: a capa foi amarrada, começou a coletiva

A capa mal foi presa no pescoço e o sujeito já avisou: “Não vou falar do jogo, não”. Foi a senha para começar a coletiva pós-jogo.
Na Resenha Premiada, a máquina ainda está procurando a tomada, mas a cadeira já ganhou função nova. Não é mais lugar de cortar o cabelo. É a cadeira de quem precisa responder, de uma vez por todas, por que aquela substituição não podia ter acontecido.
Os personagens que aparecem antes da primeira passada de máquina
O espelho pede replay
Aí vem o momento em que o dedo aponta para o espelho. A trajetória da bola aparece no vapor, no reflexo ou no ar mesmo. Um passa por aqui, o outro fecha ali, e pronto: o lance ganha uma versão que a transmissão jamais mostrou.
O barbeiro faz aquele movimento de quem precisa continuar o serviço sem interromper a análise. A máquina pausa no alto. A capa listrada segura o cliente no lugar. E a resenha vai ganhando acréscimos.
Quando alguém tenta encerrar o assunto, surge a frase que muda tudo: “Mas olha por outro ângulo”. Ninguém sabe bem de qual ângulo. Mas a conversa recomeça como se o juiz tivesse mandado voltar a jogada.
O corte acaba. O jogo, nem tanto.
No fim, o cabelo está pronto e a tese também. Ela só não convenceu ninguém, o que é exatamente como deve ser numa boa resenha.
A capa é desamarrada, o cliente levanta e a coletiva segue até a calçada. Porque o apito final não encerra o jogo para o torcedor. Ele só troca o estádio por qualquer lugar onde exista um espelho, uma cadeira e alguém disposto a dizer que faria tudo diferente.
Essa resenha tem endereço?
Manda para quem vai só cortar o cabelo e volta com a análise completa da substituição.
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