Resenha de Torcedor

Resenha Premiada: a capa foi amarrada, começou a coletiva

Torcedor Premiado · · 2 min de leitura

Cadeira de barbeiro vazia com capa listrada preta e branca em um gramado de estádio iluminado. Acima, três balões de fala mostram homens gesticulando; há uma bola de futebol, um relógio e papéis alaranjados espalhados.

A capa mal foi presa no pescoço e o sujeito já avisou: “Não vou falar do jogo, não”. Foi a senha para começar a coletiva pós-jogo.

Na Resenha Premiada, a máquina ainda está procurando a tomada, mas a cadeira já ganhou função nova. Não é mais lugar de cortar o cabelo. É a cadeira de quem precisa responder, de uma vez por todas, por que aquela substituição não podia ter acontecido.

Os personagens que aparecem antes da primeira passada de máquina

O Eu Já Sabia: não viu o problema antes do lance, claro. Mas agora lembra perfeitamente que tinha avisado. Para ele, a escalação nasceu errada e só faltava o jogo perceber.

O Estatístico: não precisa de planilha, transmissão ou caderno. Basta alguém discordar para surgir um dado com cara de definitivo, dito olhando para o espelho como quem acabou de fechar a prancheta.

Quem Só Queria Escolher o Corte: chegou pensando em degradê, navalha ou tesoura. De repente, virou mediador de uma discussão entre duas pessoas que concordam em uma coisa: a culpa nunca é delas.

O espelho pede replay

Aí vem o momento em que o dedo aponta para o espelho. A trajetória da bola aparece no vapor, no reflexo ou no ar mesmo. Um passa por aqui, o outro fecha ali, e pronto: o lance ganha uma versão que a transmissão jamais mostrou.

O barbeiro faz aquele movimento de quem precisa continuar o serviço sem interromper a análise. A máquina pausa no alto. A capa listrada segura o cliente no lugar. E a resenha vai ganhando acréscimos.

Quando alguém tenta encerrar o assunto, surge a frase que muda tudo: “Mas olha por outro ângulo”. Ninguém sabe bem de qual ângulo. Mas a conversa recomeça como se o juiz tivesse mandado voltar a jogada.

O corte acaba. O jogo, nem tanto.

No fim, o cabelo está pronto e a tese também. Ela só não convenceu ninguém, o que é exatamente como deve ser numa boa resenha.

A capa é desamarrada, o cliente levanta e a coletiva segue até a calçada. Porque o apito final não encerra o jogo para o torcedor. Ele só troca o estádio por qualquer lugar onde exista um espelho, uma cadeira e alguém disposto a dizer que faria tudo diferente.

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Manda para quem vai só cortar o cabelo e volta com a análise completa da substituição.

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