A faixa sumiu atrás do sofá. Por enquanto.

A ponta da faixa apareceu atrás do sofá antes de qualquer título. O dono da sala viu, empurrou de volta e avisou, sem olhar para ninguém: “Não fala disso, dá zica.”
A sala inteira entendeu a regra. Não se menciona a faixa. Não se pergunta por que ela está ali. E, principalmente, ninguém observa que ela está dobrada com cuidado demais para ser uma toalha esquecida.
A arrumação mais suspeita da casa
O torcedor supersticioso não prepara comemoração. Ele só organiza possibilidades. A faixa foi dobrada porque estava ocupando espaço. Foi para trás do sofá porque ali ventila. As almofadas ficaram tortas porque, bom, almofadas têm vida própria.
O problema é que o esconderijo foi escolhido por alguém que quer esconder a esperança sem afastá-la muito. A faixa precisa estar fora de vista, mas também não pode ficar difícil de pegar. Vai que o apito vem. Vai que a sala precisa mudar de função em quatro segundos.
A visita senta no sofá, vê a ponta escapando e faz aquela pausa. É a pausa de quem percebeu tudo, mas também sabe que fazer a pergunta errada pode chamar a zica para dentro da casa.
Não é comemoração. É banco de reservas.
Ninguém está comemorando antes da hora. A faixa não está exposta. Ela só está ali, no banco, aquecendo discretamente atrás do sofá.
Porque a expectativa do torcedor nunca chega fazendo barulho. Primeiro ela ajeita uma almofada. Depois dobra uma faixa. Por fim, manda ninguém tocar no assunto.
E quando alguém perguntar o que é aquilo escapando do sofá, a resposta já está pronta: “Nada. Mas deixa aí. Vai que.”
Só Quem Torce Entende: o banco que não aparece na escalação
Toda casa de torcedor tem um banco de reservas que não aparece na escalação: a bandeira guardada, a camisa separada, o copo que ninguém pode trocar de lugar e a faixa atrás do sofá.
É a resenha antes do apito. Ninguém admite que acredita, mas todo mundo sabe exatamente onde a esperança foi deixada — perto o bastante para entrar em campo, se precisar.
Essa resenha tem endereço?
Marca o amigo que diz “não vamos zicar” enquanto já escondeu a faixa atrás do sofá.
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