O gol saiu. A disputa pela louça pediu trégua.

A discussão era simples: quem ia lavar a louça. Aí saiu o gol, a esponja ficou ensaboada na pia e, por alguns segundos, ninguém tinha mais razão nenhuma para cobrar ninguém.
A discussão era simples: quem ia lavar a louça. Mas já tinha ganhado aquele tom de cobrança que transforma dois pratos e uma panela em assunto de reunião.
De um lado, a tese de que quem cozinhou não devia encostar na pia. Do outro, a defesa de que quem repetiu o prato tinha entrado automaticamente na escalação da limpeza. A esponja, ensaboada na borda, aguardava uma decisão que não vinha.
Aí saiu o gol.
Não teve tempo para voto, réplica ou direito de resposta. Quem estava apontando para a panela largou o argumento. Quem segurava a esponja esqueceu a própria defesa. Os dois lados se encontraram no meio da sala como se a pia nunca tivesse existido.
Os sinais de que a discussão entrou no intervalo
O gol tem esse poder estranho: não resolve a tarefa, mas suspende o processo por alguns minutos.
A paz dura até a imagem voltar ao jogo
Por alguns segundos, a casa vive uma trégua bonita. Não porque alguém cedeu, nem porque a louça se lavou sozinha. Só porque um gol convocou todo mundo para a mesma comemoração.
Depois, a TV volta ao jogo. A pia continua lá. A esponja ainda está ensaboada. E alguém, com a calma de quem sabe que o assunto não morreu, pergunta: “Tá, mas quem vai lavar isso?”
O futebol não resolve a louça. Mas consegue dar a ela uns bons minutos de acréscimo. Afinal, a pia também conhece esses acréscimos.
Essa resenha tem endereço?
Marca quem faz as pazes no gol e retoma a discussão antes do apito.
Mandar no WhatsAppBaixar o cardVer card para compartilhar

