O gol saiu. A sacola assumiu a comemoração.

A chave ainda nem virou na fechadura quando a TV gritou lá de dentro. O pão quase caiu; a sacola, por outro lado, subiu como bandeira.
A missão era simples: ir à padaria, voltar rápido e não perder nada. O jogo ainda estava rolando, o pão estava garantido e a porta de casa parecia perto demais para dar errado.
Aí saiu o gol no exato metro entre o corredor e a sala.
Não deu tempo de pôr a sacola na bancada. Nem de achar onde a chave foi parar. O braço foi para o alto, a sacola foi junto e um pão francês apareceu pela abertura como se também tivesse acabado de entrar em campo.
Quem olha de fora vê uma compra da padaria. Quem chegou no meio do gol vê o novo item oficial da comemoração: sacola amassada, pão ameaçando fuga e um torcedor tentando gritar sem derrubar o jantar.
Depois, quando a sala volta ao normal, fica a cena: a chave esquecida perto da porta e a sacola ainda na mão de quem só queria trazer pão.
A padaria entregou o pão. O gol promoveu a sacola.
E, se a comemoração foi tão rápida que ninguém entendeu direito o lance, tem também a história de quem comemora antes de o replay explicar tudo.
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Manda para quem sempre aparece com o pão bem na hora do gol.
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