A localização atualizou. A resenha entrou em vantagem.

Faltavam oito minutos para o jogo. O cachecol já ocupava o banco do passageiro; o dono dele ainda era só um pontinho avançando devagar no mapa do grupo.
Ele tinha mandado “tô chegando”, frase que, em dia de jogo, não informa nada. É apenas o início da investigação.
Na sala, a escalação perdeu espaço para a rota. “Virou ali?” “Esse semáforo sempre segura.” “Se pegar a próxima, dá.” Ninguém mais discutia trânsito. O assunto era quanto da resenha ele ainda conseguiria pegar.
O mapa entrou no jogo
O pontinho anda uma rua e a turma respira. Para no cruzamento e já aparece a cobrança. Não é maldade: é que a resenha pré-jogo tem fome de testemunha. Alguém precisa ouvir a primeira reclamação sobre o técnico, negar que está nervoso e dizer que hoje vai dar certo sem conseguir explicar por quê.
A localização, que em qualquer outra terça-feira serviria só para achar endereço, ganha função de placar. Cada curva é uma chance clara. Cada rua errada é um contra-ataque. O semáforo fechado vira aquela bola presa no meio-campo que ninguém aguenta mais ver.
E sempre existe o otimista do grupo. “Chega no hino.” Ele fala olhando para um pontinho que ainda parece ter três bairros pela frente, mas torcedor também é especialista em fazer conta que favorece a esperança.
A primeira vitória da noite
Quando o carro finalmente entra na rua, a turma comemora como se tivesse saído gol. Não porque o atraso acabou. Porque agora começa a parte boa: receber o cidadão com a informação de que ele perdeu exatamente a conversa que vai ser repetida por uma hora.
Ele talvez chegue a tempo do apito. A resenha, não. Ela começou quando alguém escreveu: “Manda a localização. O jogo começa em oito minutos.”
Antes do primeiro toque na bola, já havia uma torcida inteira para a última curva.
Essa resenha tem endereço?
Manda a localização. O jogo começa em oito minutos.
Mandar no WhatsAppBaixar o cardVer card para compartilhar

