Seu time perdeu. Até o café do trabalho veio com provocação.

“Bom dia.”
Você responde. Erro de marcação.
O colega estava só ajeitando o corpo para perguntar do jogo.
Crônica de ficção: personagens e diálogos inventados para retratar uma resenha de torcedores.
A caneca virou escudo
Você chegou decidido: hoje só fala de trabalho. Abriu a planilha, respondeu mensagem, até perguntou de uma reunião que normalmente tentaria evitar. A estratégia estava montada.
Aí acabou o café da mesa. Na caminhada até a copa, aparece justamente o sujeito que passou a semana dizendo que nem estava acompanhando o campeonato. Hoje ele acompanhou até o aquecimento.
“Dormiu bem?” Ele pergunta olhando para a sua cara, mas você sabe que a pergunta era para o goleiro.
Quem ganhou virou comentarista
O colega apoia a mão na bancada. Acabou: vai ter análise tática. Ele explica a saída de bola segurando um sachê de açúcar e usa dois copos para mostrar onde estava o lateral.
Você nem sabia que ele conhecia o nome do lateral. Semana passada chamava de “aquele ali”. Agora é peça fundamental do esquema.
A impressora apita ao fundo. Pela primeira vez na vida, você considera a impressora uma aliada.
As respostas que tentam tirar a bola dali
Dá para tentar mudar de assunto. Só não espere que o adversário facilite a saída.
- “Campeonato é longo.” Tradução da resenha: não analise a tabela hoje.
- “Nem consegui ver.” Você viu. O problema é que o colega também.
- “E aquela entrega de sexta?” O contra-ataque mais profissional disponível.
Pode zoar. Também tem hora de guardar a bola
Uma risada, uma resposta atravessada de brincadeira e o café segue. Se o amigo não entrou na resenha, não transforme a copa numa entrevista coletiva obrigatória.
Tem diferença entre lembrar um gol e usar a derrota para diminuir alguém. A piada boa deixa espaço para a resposta; não precisa de plateia constrangida.
Até porque a rodada vira. E ninguém quer descobrir, na próxima segunda, que deixou uma coleção de frases prontas contra si mesmo.
A reunião começou. Finalmente acabou?
Você volta para a mesa com a caneca cheia e a sensação de ter administrado o resultado. Entra na chamada, ajusta o fone e abre o arquivo certo.
O primeiro colega liga a câmera. Está com a camisa do time.
Você bebe o café. Hoje ele esfriou antes de acabar a resenha.
Sua vez
Bingo da resenha na copa
Marque as situações que já apareceram no seu café depois da rodada.
Escolha para continuar.
Ver todas as respostas
- Perguntaram se dormi bem — A pergunta era sobre o sono. O sorriso entregou que era sobre o goleiro.
- Fingi não ter visto o jogo — Pena que você comentou cada lance no grupo ontem.
- Usei a caneca como escudo — Pode beber devagar. Não dá para se esconder atrás do café para sempre.
- Ouvi análise com copinhos — O copinho de plástico já sabe mais do esquema que o lateral.
- Mudei de assunto para trabalho — Nunca uma planilha pareceu tão interessante.
- Mandaram meme antes do bom-dia — O colega chegou cedo. A provocação chegou antes dele.
- Lembrei uma vitória antiga — O arquivo abriu rápido. A tabela de hoje ficou para depois.
- Falei que o campeonato é longo — Longo mesmo vai ser o caminho até a copa.
- Prometi dar o troco na próxima — Guarde a frase. A próxima rodada também chega para o rival.
Bateu uma linha? O café já virou pós-jogo. Mande para o colega que reconheceu a cena.
Essa resenha tem endereço?
Tem um colega que chega assim depois da rodada. Não vou citar nomes.
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