A camisa entrou na máquina. A resenha ficou no ciclo pesado.

A camisa entrou na máquina para sair limpa. Em menos de um minuto, dois banquinhos já estavam de frente para o vidro e alguém tinha aberto a mesa-redonda.
O tambor começou a girar. A camisa foi para um lado, voltou para o outro, e pronto: parecia replay. Ninguém sabia mais se estava esperando a centrifugação ou a repetição daquele lance que, na opinião de todo mundo, explicava o jogo inteiro.
A primeira volta já traz a escalação nova
Sempre aparece o Eu Já Sabia. Ele não precisa de muito. Basta olhar a camisa rodando duas vezes para soltar que o erro estava claro desde o começo. A partir daí, escala uma equipe diferente com a tranquilidade de quem recebeu o cargo no intervalo.
Do outro lado senta o Estatístico. Ele não viu número nenhum, mas tem dado. A máquina dá mais uma volta e ele conclui que o time perdeu o meio-campo, o corredor e a paciência da torcida. A discussão fica tão séria que alguém quase pergunta se o ciclo pesado é melhor para marcar por zona.
A roupa limpa. A tese ganha prorrogação.
Quando a máquina apita o fim do serviço, a camisa sai limpa e a conversa sai com uma escalação nova, três culpados e uma certeza que só dura até o próximo jogo.
Porque camisa de time não entra numa lavanderia como roupa comum. Ela entra carregando a rodada. E, se a derrota foi feia, talvez depois do ciclo pesado venha o castigo no armário.
No Torcedor Premiado, até a lavanderia ganha prorrogação quando a camisa entra no tambor.
Essa resenha tem endereço?
A roupa saiu limpa. A escalação saiu pior.
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