Resenha de Torcedor

Diz que não vai chover, mas a capa já foi separada junto da camisa.

Torcedor Premiado · · 2 min de leitura

Mochila preta aberta sobre uma mesa com uma capa de chuva amarela brilhante e com capuz dobrada dentro. Ao fundo, uma janela mostra céu azul com nuvens, e uma camisa verde lisa aparece ao lado da mochila.

A camisa do time já está na cadeira. A capa de chuva também — mas meio escondida atrás, porque o torcedor acabou de decretar que hoje não chove.

Na escalação de emergência da mochila, a camisa é titular. A capa fica no banco, pronta para entrar sem ninguém admitir que chamou.

Não foi uma previsão. Foi um aviso para o céu. Dito com aquela confiança de quem acredita que, se falar firme, a nuvem pensa melhor antes de aparecer.

A negociação começa antes da saída

O pedido não é absurdo. Ninguém está exigindo um domingo de céu azul e foto bonita na arquibancada. Basta a chuva respeitar o jogo.

Pode chover na ida. Pode chover na volta. Pode até dar aquela garoa quando o portão abrir. Mas, durante a partida, a torcida pede só um acordo básico: segura até o apito final.

É uma cláusula feita direto com o tempo, sem testemunha e sem garantia. Ainda assim, o torcedor cumpre sua parte: olha pela janela, dá uma espiada no celular e jura que nem está preocupado.

A capa não é medo. É estratégia.

Aí vem a prova material da bravata. A capa já foi dobrada cedo. Vai para a mochila sem alarde, espremida entre a carteira e alguma coisa que o torcedor jurou que não esqueceria.

Se alguém pergunta, a resposta sai na hora: “É só por precaução”. Como se precaução e zica não fossem parentes que se encontram em toda porta de casa antes do jogo.

No fundo, a capa sabe de tudo. Sabe que o pedido por sol foi sincero, mas também sabe que o torcedor não vai desafiar uma nuvem em dia de partida.

Até o fim, por favor

Tem gente que só relaxa quando o juiz apita. A rua pode estar molhada e a capa pode já ter cumprido a missão, mas ainda falta o principal: o jogo acabar sem uma gota cair bem na hora do gol.

Na Resenha Premiada, essa é a súmula do dia: camisa titular, capa no banco e um pedido bem educado para o céu não inventar moda.

Porque torcedor supersticioso não quer controlar o tempo. Quer só chegar seco até o fim e fingir que a capa na mochila nunca teve nada a ver com isso.

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