Só Quem Torce Entende

Faltavam cinco minutos pro jogo, e a parada da viagem virou decisão de VAR

Torcedor Premiado · · 3 min de leitura

Painel dividido em três partes: à esquerda, um relógio analógico escuro diante de uma multidão; ao centro, uma bandeja com copos, garrafa, comida e limões sobre um balcão; à direita, pessoas correndo ao lado de um carro ao pôr do sol.

A bandeja de salgado ficou no balcão. Não porque ninguém queria comer, mas porque faltavam cinco minutos pro jogo e a parada da viagem acabara de virar decisão de VAR.

Até um minuto antes, o plano era simples: abastecer, ir ao banheiro, pegar alguma coisa para beliscar e voltar. Aí alguém olhou o celular. Pronto. O posto deixou de ser posto e virou uma sala de comando improvisada.

Os quatro personagens da parada em dia de jogo

Ninguém combinou função nenhuma. Mesmo assim, cada pessoa assume uma.

Quem já está com o cinto: entra no carro antes de todo mundo, liga o ar e passa a chamar os atrasados como se fosse o quarto árbitro avisando o fim dos acréscimos.

Quem ainda escolhe lanche: encara a vitrine como se aquele salgado pudesse decidir o destino da viagem. Pede “só uma coisinha” e inicia uma negociação que claramente não cabe no relógio.

Quem consulta rota e horário: alterna mapa, distância e tela do jogo com a fé de que existe um atalho secreto entre o caixa e o apito inicial.

Quem diz que dá tempo: mantém a tranquilidade de quem confia no plano original, mesmo quando o resto do carro já está vivendo os últimos segundos de uma final.

A pequena final entre o balcão e o carro

O problema nunca é só a parada. É o banheiro ocupado, a fila que resolve andar em câmera lenta, o troco, a porta que não fecha de primeira e a pergunta que ninguém queria ouvir: “Mas onde está fulano?”

A cada nova olhada no relógio, o clima muda. Quem estava com fome aceita qualquer pacote. Quem queria café descobre que cafeína nenhuma vence o medo de perder a escalação. E quem prometeu que dava tempo começa a falar menos.

No fim, todo mundo volta correndo para o carro com a sensação de ter conseguido uma classificação sofrida. Alguém fica sem lanche. Alguém esquece a água. E o jogo começa exatamente quando a última porta bate.

A regra não escrita da estrada

Torcedor até pode planejar a viagem. O que ele não planeja é o momento em que o apito entra na conversa e transforma cinco minutos em assunto de grupo.

A parada era rápida. Até o jogo começar a cobrar presença.

E você: é quem já está de cinto, quem ainda escolhe lanche, quem abre o mapa ou quem garante que dá tempo de boa? Manda para a pessoa que sempre fala essa última frase.

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