A pulseira do estádio fica no braço até segunda ordem

A água do banho já está caindo, a toalha já foi separada, mas a pulseira do estádio continua no braço. Tirar agora parece uma decisão grande demais para uma terça-feira.
Lá na catraca, ela era só um jeito de provar que você podia entrar. Duas horas de arquibancada depois, virou outra coisa. Uma pulseira amassada, meio torta, mas com um currículo que o pulso respeita.
Porque cortar aquele pedacinho de papel é admitir que acabou. E tem jogo que acaba no apito, mas o torcedor só encerra as atividades bem mais tarde.
Manual de convivência com a pulseira que não foi embora
Enquanto ela estiver ali, a noite ainda está em análise.
A zica também tem opinião
Em algum momento, a pulseira deixa de ser lembrança e passa a ser assunto tático. Tirar antes do próximo jogo? Melhor não tomar decisão precipitada.
Vai que ela estava lá na hora boa. Vai que ela entendeu alguma coisa. Vai que o pulso está fazendo a parte dele na campanha.
Ninguém precisa explicar muito. Torcedor sabe que certos objetos ganham função quando a bola rola. Uma pulseira pode não mudar nada, mas também não custa nada deixá-la trabalhar mais um pouco.
O estádio foi embora. O pulso ficou nos acréscimos.
Quando a pulseira finalmente some do braço, não é derrota. É só porque a resenha já foi longe o bastante para caber nas lembranças.
Até lá, ela segue fazendo o serviço dela: lembrar do barulho, da tensão e daquela vontade de não voltar à rotina tão rápido. O jogo acabou, mas o torcedor ainda está saindo do estádio por dentro.
E, se até a camisa usada no jogo pode entrar em julgamento no armário, uma pulseira no pulso está longe de ser exagero.
Essa resenha tem endereço?
Você também deixa a pulseira do estádio até ela pedir aposentadoria?
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