Só Quem Torce Entende

A pulseira do estádio fica no braço até segunda ordem

Torcedor Premiado · · 3 min de leitura

Braço com pulseiras coloridas e relógio segurando uma escova de dentes diante de uma camisa listrada pendurada, com estádio desfocado ao fundo.

A água do banho já está caindo, a toalha já foi separada, mas a pulseira do estádio continua no braço. Tirar agora parece uma decisão grande demais para uma terça-feira.

Lá na catraca, ela era só um jeito de provar que você podia entrar. Duas horas de arquibancada depois, virou outra coisa. Uma pulseira amassada, meio torta, mas com um currículo que o pulso respeita.

Porque cortar aquele pedacinho de papel é admitir que acabou. E tem jogo que acaba no apito, mas o torcedor só encerra as atividades bem mais tarde.

Manual de convivência com a pulseira que não foi embora

Enquanto ela estiver ali, a noite ainda está em análise.

No banho, o braço fica estrategicamente do lado de fora por alguns minutos. Não é frescura. É preservação de memória esportiva.

No jantar, alguém pergunta por que você ainda está com aquilo. A resposta é curta: “Depois eu tiro”. Esse “depois” não vem com horário definido.

Na hora de recontar um lance para quem não pediu, a pulseira participa da explicação. Ela não fala, mas confirma que você esteve lá e, portanto, tem direito a três reprises na conversa.

No dia seguinte, ela aparece no café, no ônibus ou no trabalho. A roupa voltou ao normal. O pulso ainda está em modo estádio.

Quando começa a ficar frouxa, vem a dúvida: cortar ou deixar cair sozinha? Tesoura parece uma medida radical. Melhor aguardar os próximos acontecimentos.

A zica também tem opinião

Em algum momento, a pulseira deixa de ser lembrança e passa a ser assunto tático. Tirar antes do próximo jogo? Melhor não tomar decisão precipitada.

Vai que ela estava lá na hora boa. Vai que ela entendeu alguma coisa. Vai que o pulso está fazendo a parte dele na campanha.

Ninguém precisa explicar muito. Torcedor sabe que certos objetos ganham função quando a bola rola. Uma pulseira pode não mudar nada, mas também não custa nada deixá-la trabalhar mais um pouco.

O estádio foi embora. O pulso ficou nos acréscimos.

Quando a pulseira finalmente some do braço, não é derrota. É só porque a resenha já foi longe o bastante para caber nas lembranças.

Até lá, ela segue fazendo o serviço dela: lembrar do barulho, da tensão e daquela vontade de não voltar à rotina tão rápido. O jogo acabou, mas o torcedor ainda está saindo do estádio por dentro.

E, se até a camisa usada no jogo pode entrar em julgamento no armário, uma pulseira no pulso está longe de ser exagero.

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Você também deixa a pulseira do estádio até ela pedir aposentadoria?

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